sexta-feira, 10 de maio de 2013

Eis o percurso da 4ª Clássica da Serra da Estrela, a realizar no dia 26 de maio (domingo), com partida de Covilhã e chegada à Torre, na distância de 112 km.

Este evento de ciclismo de alta montanha puramente amador, que tem vindo em crescendo de interesse e de popularidade, tem um percurso extraordinário, pleno de exigência e espetacularidade, que inclui a passagem pelo belíssimo vale Belmonte-Manteigas, a esplendorosa subida das Penhas Douradas (efetuada na 1.ª edição desta clássica em 2010, mas este ano em versão ligeiramente mais curta), e a subida de Verdelhos (vertente norte) e, pela primeira vez em quatro edições desta Clássica, a subida final para a Torre pela célebre vertente da Covilhã. Um colosso! 

O objetivo principal foi que o novo percurso não fugisse à distância e o nível de dificuldade (do relevo) dos anos anteriores, que numa apreciação meramente teórica, anda perto das edições últimas, com um desnível acumulado a rondar os 3000 metros.

Percurso
Mas concentremo-nos no trajeto: primeiros 40 km sem grandes dificuldades, embora em terreno ondulado, desde a partida, da Covilhã, até Belmonte (km 17), a que se segue a viragem à esquerda para a ligação Valhelhas-Manteigas, já em ascensão (mais do que um... falso plano!) e já a impor um nível de exigência superior.

Uma vez em Manteigas (km 40) inicia-se a primeira grande subida da jornada, para as Penhas Douradas. Paisagem magnífica e sem fortes inclinações (9 km à média de 5%). Ainda antes de chegar ao topo (km 49), viragem à esquerda (atenção!!!) para a descida de regresso a Manteigas (por onde se subiu na edição do ano passado).  

Novamente em Manteigas (km 54), segue-se pelo trajeto inverso em direção ao Vale da Amoreira (agora também muito mais do que falso plano... descendente) durante 10 km (km 64), virando-se à direita para a Portela, onde se inicia, imediatamente, a terceira subida do dia, a mais curta (2 km a 6%), mas antecedendo, após descida igualmente breve, a quarta (km 70), já com outro índice de dificuldade: Verdelhos (6,5 km a 4%).

Em seguida, desce-se durante 9 km até Canhoso (km 86), para então iniciar, logo aí, a grande subida da tirada, e final, para a Torre (25 km a 6%), com passagem pela Covilhã (entrada nos semáforos antes da Praça do Município) e nos míticos troços do Parque de Campismo, da Varanda dos Carqueijais e do terrível Sanatório! Daqui, às Penhas da Saúde, a inclinação suaviza e até desce vertiginosamente após o cruzamento de Piornos, para logo voltar a empinar em direção ao famoso túnel e finalmente à Torre, a 1993 metros de altitude, o ponto mais alto de Portugal Continental – e o seu maior santuário ao ciclismo!

Restará, depois, regressar cautelosamente para a Covilhã, em ligação neutralizada, como nas edições anteriores.

Outras informações
Esclareça-se, desde já, que a Clássica da Serra da Estrela – à semelhança de todas as que constam da temporada Pina Bike - não tem fins competitivos. Cada participante deve ter consciência das suas capacidades, desde logo, para se assegurar que reúne condições físicas (e indispensável alimentação) para completar, em autonomia, um percurso com grau elevado de exigência, e a estas adequar do seu andamento/esforço. Mais uma vez mais se ressalva o interesse da formação de grupos de nível idêntico.

 O percurso inicia-se, como nas primeiras edições, na Covilhã, no mesmo local (parque de estacionamento do Mc Donald’s/Pingo Doce, com partida às 8h00), a alameda que liga a EN18 ao centro da cidade. O pelotão seguirá para Norte, no sentido de Belmonte.

Pede-se a todos os acompanhantes que se desloquem em viatura, que respeitem distância de segurança (suficiente) para os ciclistas, principalmente enquanto pelotão ou grupos numerosos, não devendo circular em caravana atrás ou à frente, e que nunca os ultrapassem sem garantir a segurança da manobra.

Recomenda-se, assim, que os referidos acompanhantes - principalmente perante a contingência de apoiar os «seus» ciclistas - que o façam APENAS EM SUBIDA E NUNCA QUANDO O GRUPO ESTIVER COMPACTO OU EM DESCIDAS A ALTA VELOCIDADE. O IDEAL SERÁ AGUARDAR POR FASES MAIS AVANÇADAS DO PERCURSO, QUANDO O PELOTÃO ESTIVER MAIS FRACCIONADO. Além disso, aconselha-se a todos os participantes que levem telemóvel para contacto em caso de emergência/necessidade.

 Pede-se, igualmente, aos participantes na Clássica que evitem atirar lixo para o chão, nomeadamente os invólucros de alimentos que consumam durante o trajeto. O mesmo pedido é extensível aos acompanhantes. Recorde-se que o percurso atravessa zonas protegidas do Parque Nacional da Serra da Estrela, e que é dever acrescido de bom cidadão/desportista contribuir para a sua preservação e do meio ambiente em geral.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Grande homenagem!

Grande homenagem aos bravos do pelotão que participaram na 3.ª edição da Clássica da Serra da Estrela, e que contribuíram para promover e reforçar o estatuto já importante deste evento de ciclismo puramente amador.
A adesão foi, uma vez mais, a condizer com os aliciantes e prestígio crescente desta clássica. A todos os que conquistaram a Torre pelas encostas de Manteigas, os mais sinceros agradecimentos.
Já estamos a perspetivar a edição de 2013! E que desde já antecipamos que a subida final será a mítica vertente da Covilhã!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ataque à vertente de Manteigas!



Eis o percurso da 3ª Clássica da Serra da Estrela! A data há muito que é conhecida - o dia 17 de Junho (domingo) -, mas só após criteriosa ponderação ficou finalmente definido o traçado (clicar aqui para ver), que promete ser tão ou mais interessante que o das primeiras edições.

No terceiro ano, este evento de ciclismo de alta montanha puramente amador, que tem vindo em crescendo de interesse e de popularidade, inclui a inéditas subidas de Sarzedo, Penhas Douradas (por onde a Volta a Portugal passou em 2011) e Torre por Manteigas, e ainda a subida do Gonçalo, efetuada na primeira edição desta clássica, em 2010.

O objetivo principal foi que o novo percurso não fugisse à distância e o nível de dificuldade (do relevo) dos anos anteriores, o que não foi uma tarefa fácil... A quilometragem, aumentou mas só ligeiramente! Em vez dos cerca de 115 km (até à Torre) de 2010 e 2011, o trajeto deste ano terá 120 km, a que deverá juntar-se (à semelhança das edições transatas) mais 24 de descida até à Covilhã (ponto de partida e chegada e local de banhos).

Por seu turno, o relevo, numa apreciação meramente teórica, anda perto das edições últimas, com um desnível acumulado que deverá rondar os 3000 metros, embora com a inversão da gradação da dificuldade. Isto é: desta vez o traçado até à subida final, «obrigatoriamente» para a Torre (!), será mais exigente do que, por exemplo, o do ano passado, embora, ao contrário deste, a ascensão final ao ponto mais alto de Portugal Continental será a mais acessível das que se conhecem: a vertente de Manteigas.

Mas concentremo-nos no percurso até aí, um autêntico sobe e desce praticamente desde o início da jornada. Assim, logo ao km 10, em Teixoso (depois de sair no cruzamento à esquerda na EN18: Covilhã-Belmonte), arranca a primeira subida, de Sarzedo, com 6,5 km a 5%, com ligação ao Vale da Amoreira (km 29), com um «topo» agreste de 2 km (Verdelhos) de permeio, e dali segue-se até Valhelhas (km 35). Após 3 km entra-se numa estrada à esquerda que levará (num atalho sempre em falso plano) para a localidade do Gonçalo, onde começa verdadeiramente a subida com este nome (km 43). Distância/inclinação: 10 km a 4%, antes da descida para Valhelhas (km 55).

A partir de Valhelhas segue-se a sempre difícil aproximação a Manteigas (quem não se lembra de 2010?!), onde se inicia a terceira grande subida do dia, para as Penhas Douradas. Mas, atenção, esta far-se-á por onde os corredores da Volta a Portugal passaram em 2011 (ver bem gráfico do percurso). Um «pitéu» com 7,5 km à seletiva inclinação média de 7%.

Segue-se a descida (lindíssima!), de novo, para Manteigas e, finalmente, a longa subida final (não menos bela!) para a Torre, com passagem no cruzamento de Piornos, o famoso túnel e com «happy ending» a 1993 metros de altitude. Números da «besta»: 18,5 km a 6%.    

No cume de Portugal Continental, a Torre, estaremos com cerca de 120 km... e a etapa praticamente concluída. Restará regressar cautelosamente para a Covilhã, em ligação neutralizada, tal como nos dois últimos anos.

 Outras informações

 Esclareça-se, desde já, que a Clássica da Serra da Estrela – à semelhança de todas as que constam da temporada Pina Bike - não tem fins competitivos.

Cada participante deve ter consciência das suas capacidades físicas, desde logo, para se assegurar que reúne condições para completar, em autonomia, um percurso com este grau de exigência, e a estas adequar do seu andamento/esforço. Mais uma vez mais se ressalva o interesse da formação de grupos de nível idêntico.

O percurso inicia-se, como nas primeiras edições, na Covilhã, no mesmo local (parque de estacionamento do McDonald’s/Pingo Doce, com partida às 8h00), a alameda que liga a EN18 ao centro da cidade. Ao invés do ano passado, o pelotão seguirá para Norte, no sentido de Belmonte.

 Pede-se a todos os acompanhantes que se desloquem em viatura, que respeitem distância de segurança (suficiente) para os ciclistas, principalmente enquanto pelotão ou grupos numerosos, não devendo circular em caravana atrás ou à frente, e que nunca os ultrapassem sem garantir a segurança da manobra.

 Recomenda-se, assim, que os referidos acompanhantes - principalmente perante a contingência de apoiar os «seus» ciclistas - que o façam APENAS EM SUBIDA E NUNCA QUANDO O GRUPO ESTIVER COMPACTO OU EM DESCIDAS A ALTA VELOCIDADE. O IDEAL SERÁ AGUARDAR POR FASES MAIS AVANÇADAS DO PERCURSO, QUANDO O PELOTÃO ESTIVER MAIS FRACCIONADO. Além disso, aconselha-se a todos os participantes que levem telemóvel para contacto em caso de emergência/necessidade.

Pede-se, igualmente, aos participantes na Clássica que evitem atirar lixo para o chão, nomeadamente os invólucros de alimentos que consumam durante o trajeto. O mesmo pedido é extensível aos acompanhantes. Recorde-se que o percurso atravessa zonas protegidas do Parque Nacional da Serra da Estrela, e que é dever acrescido de bom cidadão/desportista contribuir para a sua preservação e do meio ambiente em geral.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A SERRA, EM TODO O SEU ESPLENDOR!

No rescaldo da 2ª Clássica da Serra da Estrela, a opinião dos seus participantes foi unânime: fantástica e exigentíssima jornada de ciclismo, num percurso de alta montanha espectacular!

A superlativa adjectivação poderá fazer desconfiar quem não esteve lá. Mas só esses... No espírito dos cerca de 30 ciclistas que se lançaram em conquista da Torre pela arrebatadora subida de Seia reinava, no final, a sensação cúmplice de que a experiência tinha sido realmente engrandecedora. E desde já a impor difícil tarefa de fazer tão bom (de preferência, melhor) em futuras edições.

O percurso concentrou os elogios. Dificilmente poderia ter sido produto de melhor escolha e, no meu caso pessoal, que o desconhecia, constituiu uma agradável surpresa. Revelou «a outra» Serra – e que lindíssima! Paisagens arrebatadoras, de cortar a respiração, tal como a sucessão de subidas... e não apenas a grandiosa final, de Seia à Torre. E não menos incríveis descidas.

Beneficiou, igualmente, de um lote de participantes de enormíssimo gabarito, selecção que parecia exclusiva a verdadeiros apaixonados pelo ciclismo, pela prova de superação física e anímica de muito exigente desafio de superar a distância de 113 km (+25 km da descida final para Covilhã) com 3000 metros de desnível acumulado. Bem mais que os 2600 m da edição do ano passado, que teve três subidas acima dos 10 km (Gonçalo, Penhas Douradas e Sabugueiro). O percurso foi realmente duro, como, de resto, se antevia...

E desde cedo que as dificuldades se depararam. Três quilómetros apenas para soltar as pernas e logo primeira subida, em Tortosendo, a cortar as vozes em animadas cavaqueiras madrugadoras. Logo ali houve necessidade de moderar os ímpetos dos mais fortes – com destaque para o Renato Hernandez e o Manso – porque ainda vinha longe a abertura da estrada ao andamento livre (mais uma vez decisão providencial para minorar desgastes).

Ao aperitivo seguiram-se, todavia, dois impasses devido a furos. O Ricardo da BH (que foi um dos azarados do dia, com o primeiro de três furos que o obrigaram a ficar a meio do caminho) e logo a seguir o Dario (que teve de abdicar da sua ultraleve Zipp carbónica com boyaux, pela gentilmente cedida roda chaimite sobressalente do Jorge «Contador», e cremalheira 23 como brinde envenenado).

Até Paúl rolou-se – ou melhor, ondulou-se -, mas logo o terreno voltou a empinar. E bem. Tal como o andamento à frente, deixando, no início, muita gente em níveis cardíacos desaconselháveis. Depois, também à frente se percebeu que não era propriamente um topo (3 km) e moderou-se o ritmo até Erada, onde se abririam definitivamente as válvulas...


Teixeira

Mal se entrou na primeira grande subida, Alto do Teixeira – que se previa longa (16 km) mas suave (2%) -, a inclinação forte causou surpresa e choque!, que a juntar à intensidade que se imprimiu à frente, provocou a primeira (e para muitos) definitiva selecção nos participantes. No meu caso, atingi nessa fase o pico cardíaco da volta, o que dá a perceber que a ambientação ao ar de montanha foi tudo menos tranquila. Por isso, tive necessidade me deixar ir ao sabor das sensações, rejeitando a tentação de (tentar) manter-me entre os primeiros. O pelotão partiu-se em quatro ainda nos troços mais íngremes (2/3 km), passando a três quando a pendente, afinal, suavizou, dando lugar a longo falso plano ascendente que permitia estabilizar velocidades acima dos 30 km/h e diferenças de cerca de 300/400 metros entre grupos. Entretanto, cerca de um terço dos participantes ficava definitivamente para trás. Muito cedo...

Então, o segundo grupo, em que me incluía, passou a perseguidor empenhado. Nada que se recomendasse – pelo contrário! Durante algum tempo, a ansiedade na recolagem levou a certo desnorte colectivo, que felizmente a presença de elementos mais experientes e conscienciosos evitou que tivesse piores consequências, no muito que ainda faltava percorrer! Neste particular, destaco o apoio do Vítor Mata-a-Velha à minha «causa», que fiz ouvir-se, alto e a bom som... e às tantas quase pensei perdida. Felizmente, após alguns quilómetros de um revezamento desgarrado, adequou-se o ritmo e minorou-se os desgastes... esquecendo-se, pelo menos, por instantes, o grupo da frente.

O final da subida mostrou um cenário de assombro, uma paisagem arrebatadora que nos engolia com tanto esplendor. A descida foi vertiginosa, a 60/70 km/h. Agora sem preocupações, a recuperar do esforço, como deve ser... Porque nova dificuldade se seguia imediatamente, sem um metro de estrada plana. A subida de Alvoco da Serra: 8 km a simpáticos 4,5%. Não é Montejunto, como parecia no papel - é menos duro, com uma inclinação regular, a permitir manter andamento moderado e boa cadência. Os grupos estavam à vista. Forçando era possível reagrupar. Não foi prioridade e ainda bem... – porque revelar-se-ia apenas um (re)encontro temporário...


Alvoco

Desde os primeiros metros da ascensão, o ritmo (no nosso grupo) foi bastante bom, bem partilhado, embora o mérito maior coubesse ao Capela. Aliás, não apenas no início, mas em quase toda a subida, o alverquense liderou o grupo que sensivelmente a meio da subida ganhou mais elementos, com a cedência de alguns elementos do primeiro e outros devido a paragem para abastecimento líquido numa fonte (referenciada). No nosso, alguns também o fizeram, com a factura do esforço de recolagem que tal implicou – Manso e o Vítor «Mata-a-Velha» foram os mais afectados, mas este, talvez, por ter demorado mais tempo na operação não voltou a reentrar – e com isso (e uma ligeira queda à entrada de Seia) prejudicou uma prestação que «tinha tudo» para ser ainda melhor, como se provou pela sua excelente subida para a Torre, em enorme recuperação que deixou todos os que assistiram rendidos aos seus dotes de trepador.

Passou-se Alvoco e desceu-se, então, para Loriga, e de voltou-se, de novo, a subir para S. Romão, onde nova (uff..) subida, felizmente curta, antecedeu Seia, o início para a grande ascensão da jornada: 28 km para a Torre.

Antes de terrível «abordagem» à subida, creio ser oportuno (tentar) descrever a composição dos grupos que se tinham formado ao longo do percurso. A saber (salvo algum lapso de memória):

1º grupo (ou ainda em posição intermédia, atrás deste): Renato Hernandez, Renato (Bucelas), Rui Torpes, Filipe Arraiolos e mais três ou quatro elementos, entre jovens do ASC Guimarães.

2ª grupo: Ricardo (eu), Capela, Jorge «Contador», Pedro (Kuota), Lopes (Carb Boom), Manso, Dario, Chico Aniceto, Sérgio e outro elemento dos 2640, e o Vieira (Trek). Em posição intermédio, o Vítor «Mata».

3º grupo: entre outros, o Pedro Fernandes, o Alexandre, o Carlos Gomes, um elemento dos Duros e outro camarada do Vítor. E mais dois ou três dos 2640 (ver crónica e comentários em ciclismo2640.blogspot.com)


Enfim, Seia

E que dureza! Rampas infernais logo a abrir, impondo desde logo a necessidade de «meter» o ritmo certo. No nosso grupo, rapidamente se definiram posições. O Lopes, que chegou a estar no grupo da frente, mostrou-se sempre inquieto, como se quisesse mas não pudesse estar na dianteira, e não se sentisse muito à-vontade atrás, por estar uns furos acima do nosso nível. De resto, foi isso que se provou, ao não demorar a meter passo rápido nas rampas à saída de Seia, destacando-se paulatinamente até à Torre, e permitindo apenas avistá-lo ao longe durante a maior parte da subida, sem nunca estarmos em condições de o alcançar.

Comigo, após a rudeza dos primeiros quilómetros, permaneciam o Pedro, da Kuota, o Capela e o Dario. Este último, em muito boa forma, acabou penalizado pelo lastro e o carreto 23 da já referida roda pesada cedida pelo Jorge e por abdicar ainda antes do Sabugueiro. Aqui, em descida que antecede mais 6 km com rampas acima dos 10%, os meus parceiros ainda pareciam rijos, mas o «choque» com as elevadas inclinações (não foi por falta de aviso...) afectou-os mais do que mim (aliás, foi a fase da subida em que me senti melhor), deixando-me definitivamente isolado a caminho da Torre. Agora numa luta em solitário contra a serra, a escassez de oxigénio com o aumento da altitude e a fadiga que se acumulava.

Até ao cume, ainda ultrapassei o Filipe Arraiolos e outro elemento (azul) que lutavam arduamente contra o cansaço, em nítida perda. E à chegada, lá estavam os (mais) poderosos do dia: os Renatos e o Torpes – de outro campeonato... Foram irresistíveis. Diz-se que o Renato, de Bucelas, esteve em forma no seu terreno, muito à-vontade na subida final, que partilhou com o seu homónimo Hernandez, cujas capacidades todas reconhecemos – e que temos (ou deveríamos ter...) o privilégio de beneficiar nalguns domingos em que há TGV. E o Rui Torpes, que se atrasou bastante algures para reabastecer (terá sido na tal fonte?), mas que, segundo os Renatos, fez uma subida arrasadora, chegando praticamente a morder os calcanhares destes. Não surpreende!


Homenagem

No entanto, não queria deixar de ressalvar o extraodinário desempenho de TODOS os participantes neste fantástico evento, verdadeiros bravos com quem tive o privilégio de partilhar esforços. A conquista da Torre é um prémio que faz esquecer todo o sofrimento, as agruras que fazem parte do ciclismo, e ainda mais em alta montanha. Reporto, uma vez mais, para a crónica e comentário no blog do ciclismo2604 – lá estão descritas experiências e grandes exemplos de superação. E não apenas estes que concluíram o exigentíssimo percurso, também os que, por motivos diversos, não conseguiram alcançar, pelos seus próprios meios, o ponto mais alto de Portugal Continental, a minha sincera homenagem.

Há duas imagens que ficam na retina: a do Chico Aniceto a chegar à Torre, tombando a escassos metros do topo, vítima de caimbras, depois de uma inesgotável prestação, muito ao seu estilo. Foi a prova de coragem e desapego perante as vissicitudes deste desporto magnígico que é o ciclismo. Outra, muito parecida, de um camarada que desconheço, que se atirou literalmente para o chão, após a chegada, contorcendo-se com dores. As mazelas saudáveis, e até saborosas, de um objectivo plenamente atingido! E ainda, a compreensível dor de alma do camarada Vítor «Mata», que chegou em «grande», mas com o gosto amargo de não ter arrancado no nosso grupo em Seia. Se o tivesse feito, teria sido, certamente para mim, uma roda a (tentar) seguir. Fez certamente uma das melhores subidas finais. A minha merecida homenagem.

Acabou a edição de 2011, já estamos a desejar 2012!

quarta-feira, 16 de março de 2011

AMANHÃ, SERÁ O GRANDE DIA!!!



A partir das 8h00 da amanhã, a 2ª. Clássica da Serra da Estrela arranca à conquista da Torre, num percurso que tem tudo para ser inesquecível jornada de cicilismo. A alta montanha aguarda-nos, por isso esqueçam-se excessos e desvarios. Ela reclama justiça à sua grandiosidade e respeito pelas exigiências que impõe...


O trajecto não é acessível. É um «osso duro de roer» - e até o gráfico da altimetria poderá induzir em erro, ao mostrar que o única grande dificuldade é «só» a interminável subida de Seia para a Torre. Não é. É um autêntico sobe e desde, sem grande espaço para relaxe. Desde os primeiros quilómetros que as subidas se nos deparam, em sequência e crescente dificuldade... Não se iludam. A partir da zona de andamento livre, na Erada (km 27), começará verdadeiro teste de superação física e mental - serão mais 80 km infindáveis até à Torre, em que tudo pode acontecer. A experiência da edição de 2010 (a quem esteve presente) deve ser fiel cartilha de ensinamentos: para a maioria, os excessos das Penhas Douradas (e até da ligação enganadora para o Sabugueiro) pagaram-se bem caros, na fortíssima subida final, a partir desta aldeia para a Torre - e foi só, porque este ano terá o dobro da extensão, logo conte-se com 2 horas de esforço intenso, que não podem ser penosas, sob todos os riscos que tal implica!. Portanto, recomendação! Poupem-se para a subida final. Vai-nos levar todas as forças...



1ª condição fundamental para chegar bem, pelo menos, a Seia: não ficar isolado após a Erada, na suave mas longa subida para o Alto do Teixeira (2ª. categoria). Para quem é da nossa zona (Lisboa/Loures/Oeste/Ribatejo), saberá o que poderia custar ficar «ao vento» no início da ascensão do Forte do Alqueidão desde Bucelas, mas ainda mais 5 km! E com «uma» serra de Montejunto pela frente (Alvoco da Serra), e depois de sair desta, enfrentar a subida à Torre. Levem isso na cabeça! Não é exagero...



Por outro lado, não se façam ao caminho sem o seu conhecimento detalhado. Há viragens, mudanças de direcção várias. Uma opção errada poder-vos-á levar a fazer ínúmeros quilómetros desnecessariamente. E em cenário de montanha, depois de uma longa descida vem sempre não menos longa subida... Levem «road book», num pedaço de papel guardado no bolso ou colado no avanço da vossa bicicleta. Previnam-se, porque o percurso não é sempre a direito... e os atalhos podem pouco recomendáveis.



A seguir, fica a descrição mais pormenorizada do traçado pelo camarada Manso, seu profundo conhecedor. Retirem ilações. Eu já tirei! Quero chegar ao Sabugueiro com mais forças que no ano passado. Não sei tão bem que não vai ser fácil. E como recomendação para os mais «competitivos», digo-lhes que o meu andamento «justo», por ter ido no limite da gestão nas Penhas Douradas, permitiu-me ganhar mais de meia-hora a muitos que chegaram alguns minutos à minha frente às Penhas. E sei, que se estivesse só um bocadinho menos justo nas terríveis pendentes a seguir ao Sabugeiro, que ganharia quase o dobro! E foram 17 km. Imagine-se em 28, desde Seia. A reflectir.


A palavra, então, ao camarada do Ciclismo 2640:



O percurso da clássica pode ser dividido em várias fases.



1) Até à Erada: Fase mais rolante, com várias passagens por aldeias/aglomerados habitacionaisA ter em atenção:- Muitas passadeiras, algumas com a configuração de lombas que devem ser bem assinaladas por quem for na cabeça do pelotão- Velocidade dentro das localidades- Esta ligação apesar de acessível apresenta algumas subidas relativamente pequenas que devem ser levadas com calma. Destaco logo o caroço à entrada do Tortozendo, uma mais longa inclinação a seguir ao Paul e assim que se vira à esquerda para a Erada a pendente também se faz sentir.- A descida para a Erada deve ser feita com precaução. Assim que se atravessa esta localidade vira-se à direita e sobe-se. Aqui vai certamente haver algum alongar no pelotão porque a inclinação é grande. Pouco depois vira-se à esquerda e entra-se numa estrada com piso excelente e pendente mais suave (sempre a subir)



2) Subida até ao Alto do Teixeira - Pouco mais de 15 km acessíveis em termos de inclinação. aqui já se vai em andamento livre e as diferenças devem começar a aparecer.



3) Assim que se atinge o topo da subida anterior desce-se bastante (para a direita) e logo depois inicia-se a bem mais séria subida do Alvoco da Serra. Não é longa mas é inclinada. Se o dia estiver quente aproveitem a fonte/chafariz na entrada da localidade visto que é o ponto ideal para um rápido reabastecimento de água. Sai-se da localidade ainda a subir e depois desce-se na zona de Loriga. Sem descanso aparece mais uma inclinação na saída desta terra e na rotunda que irá surgir pouco depois segue-se em frente para Seia (À direita atalham-se muitos km em direcção à serra mas acreditem que é o "inferno serrano").



4) Descida para Seia e mais uma inclinação na zona de São Romão. (Aproveitem para ir comendo até lá). Passa-se Seia - Atenção aos semáforos! E vem o prato principal...



5) 28 km até à Torre. A saída de Seia é dura. Depois suaviza um pouco até ao Sabugueiro e volta a encrudelecer muito na saída (após um breve trecho a descer). Até à lagoa não vai haver tréguas e depois disso o sobe e desce (mais sobe do que desce...) mantém-se.



6) Descer até à Covilhã. Com calma, aproveitando para contemplar a magnifica vista e fazendo as despedidas finais



Notas finais: Não deitem lixo no chão! Sejam cívicos e respeitem uma área protegida.



Aproveitem para admirar as belas paisagens e para respirar ar puro.





Eis o anúncio do percurso da 2ª Clássica da Serra da Estrela! A data há muito que é conhecida - o dia 4 de Junho (sábado) -, mas só após criteriosa ponderação ficou finalmente definido o traçado, que promete ser tão ou mais interessante que o do ano passado, que incluiu as subidas de Gonçalo, Penhas Douradas e Sabugueiro (Torre). O objectivo principal foi que o novo percurso mantivesse a distância e o nível de dificuldade (relevo) aproximados ao do evento de 2010 - e estamos em crer que foi alcançado.




A quilometragem, sem dúvida! São os mesmos 110 km até à Torre. Já o relevo, numa apreciação meramente teórica, fica lá perto, embora a subida final deste ano, «obrigatoriamente» para a Torre, agrave a exigência! Porquê? Pela simples razão que será a extensão completa de Seia ao ponto mais alto de Portugal Continental, nos seus intermináveis 28 km. Ou seja, será semelhante ao final de 2010, a partir do Sabugeiro, ao que se acrescenta a ligação (anterior) de Seia a esta localidade. Um final apoteótico!




Mas não esqueçamos o percurso até Seia: autêntico sobe e desce, embora sem subidas com percentagens e distância de montanha, como em 2010. Recorde-se: Manteigas para as Penhas Douradas (15 km) e Gonçalo (10 km). Ao invés, este ano podemos eleger duas, como as mais complicadas antes da abordagem à Torre: Alto do Teixeira (km 43), desde Erada (16 km, a 2,4%), que, no «papel», se assemelha à nossa bem conhecida Bucelas-Forte de Alqueidão... com mais 5 km. E Alvoco da Serra (km 58), com 7,5 km a mais significativos 6,2%, uma espécie de Montejunto (igualmente em teoria...). Na Volta a Portugal, são ambas de 2ª categoria.




Mas há uma série de subidas mais pequenas de permeio, curiosamente com a mesma distância (2,5 km): Tortosendo (km 7) para Bairro do Cabeço (4,7%); Paiol (km 21), a partir de Barco (5,8%); Loriga (km 65, a 6,6%) e S. Romão (km 75; a 5,8%).




O percurso inicia-se, como na primeira edição, na Covilhã e no mesmo local (parque de estacionamento do McDonald’s/Pingo Doce, com partida às 8h00) na alameda que liga a EN18 ao centro da cidade. Ao invés do ano passado, o pelotão seguirá para Sul, no sentido do Fundão, e apenas 3 km adiante, à direita para Tortosendo.




De resto, este ano a Clássica vai trilhar as zonas sul e oeste da Serra da Estrela, habitualmente menos exploradas. O camarada Manso já fez grande parte do percurso e... recomendou-o!




No cume de Portugal Continental, a Torre, estaremos com cerca de 110 km... e etapa praticamente concluída. Restará regressar «vertiginosamente» para a Covilhã, em ligação neutralizada, tal como no ano passado.





Outras informações
Esclareça-se, desde já, que a Clássica da Serra da Estrela – à semelhança de todas as que constam da temporada Pina Bike - não tem fins competitivos.




Assim, de modo a permitir a integração de todos os ciclistas (ou a esmagadora maioria) na parte inicial do percurso, os seus participantes deverão respeitar o andamento estabelecido durante os primeiros 25 km (até Erada, no início da subida do Alto do Teixeira). A partir daí, o andamento é livre. Recorde-se que, em 2010, o regulamento foi precisamente mesmo, tendo havido mesmo lugar a neutralização no Alto do Gonçalo. Desta vez, não estão previstas.




Cada participante deve ter consciência das suas capacidades físicas, desde logo, para se assegurar que reúne condições para completar, em autonomia, um percurso com este grau de exigência, e a estas adequar do seu andamento/esforço. Mais uma vez mais se ressalva o interesse da formação de grupos de nível idêntico.




ATENÇÃO: os balneários (gratuitos) serão os do Complexo Desportivo Municipal da Covilhã (estádio), os mesmos que foram gentilmente cedidos pela autarquia no ano passado. A distância entre o local de concentração, partida e chegada (parque de estacionamento do Pingo Doce) não dista mais de 1,5 km. O trajecto é o seguinte. O ideal seria deixar os veículos no parque de estacionamento do estádio (aliás, essa foi a sugestão do responsável autarca), mas este só abrirá portas às 8h00, que é precisamente a hora marcada para a partida da Clássica. Mas quem tiver carro de apoio, poderá, então, dirigir-se directamente aos balneários, após a descida da Torre.




ALERTA (1): Pede-se a todos os acompanhantes que se desloquem em viatura, que respeitem distância de suficientemente grande para os ciclistas (principalmente enquanto pelotão ou grupos numerosos), não devendo circular em caravana atrás ou à frente, e que nunca os ultrapassem sem garantir a segurança da manobra, para que não situações arrepiantes como as do ano passado na descida do Alto do Gonçalo.




Recomenda-se, assim, que os referidos acompanhantes - principalmente perante a contingência de apoiar os «seus» ciclistas - que o façam APENAS EM SUBIDA E NUNCA QUANDO O GRUPO ESTIVER COMPACTO OU EM DESCIDAS A ALTA VELOCIDADE. O IDEAL SERÁ AGUARDAR POR FASES MAIS AVANÇADAS DO PERCURSO, QUANDO O PELOTÃO ESTIVER MAIS FRACCIONADO. Além disso, aconselha-se a todos os participantes que levem telemóvel para contacto em caso de emergência/necessidade.




ALERTA (2): Pede-se, igualmente, aos participantes na Clássica que evitem atirar lixo para o chão, nomeadamente os invólucros de alimentos que consumam durante o trajecto. O mesmo pedido é extensível aos acompanhantes.




Recorde-se que o percurso atravessa zonas protegidas do Parque Nacional da Serra da Estrela, e que é dever acrescido de bom cidadão/desportista contribuir para a sua preservação e do meio ambiente em geral.





quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fizeram-se hérois na Torre

Eram mais de cinquenta e foram maiores que a Serra da Estrela. Venceram 137 km, 2700 metros de desnível acumulado, três subidas de 1ª. categoria, calor e vento, e consagraram-se como heróis na Torre, no ponto mais alto de Portugal Continental. A primeira edição da Clássica da Serra da Estrela foi pensada para pouco mais de uma mão cheia de aventureiros, mas acabou por superar as expectativas de participação mais optimistas, reunindo dezenas de ciclistas de diversas proveniências, incluindo de Espanha.
A jornada serrana de 2010 revelou o embrião deste tipo de grandes eventos de ciclismo amador em Portugal, com as melhores características das que se realizam no estrangeiro e que, à falta no nosso país, todos os anos levam muitos inveterados praticantes portugueses desta modalidade a «emigrar». A «nossa» Clássica teve (e terá) os condimentos para manter, quiçá aumentar, o êxito conquistado logo na estreia. É um exigente desafio de superação individual, enorme desafio à resistência física e anímica, uma experiência que ficará na memória desportiva de todos os que participaram. E a estes, com a classe, coragem, tenacidade e espírito de sacrifício exibidos, se deve o sucesso retumbante desta primeira edição.
Como se não bastasse a elevada dificuldade do percurso (que se sabia), o nível de exigência desta clássica foi inflacionado pelo forte empenho dos seus participantes (como se antevia). O protocolo pré-estabelecido foi respeitado na íntegra e desde a partida de Covilhã, pouco depois da oito horas da manhã, até ao alto do Gonçalo, a primeira grande subida do dia, cumpriu-se andamento moderado para garantir a coesão do pelotão e atenuar desgastes prematuros. Todavia, não se pense que foi uma toada de passeio, mas sim ritmo adequado àquela fase do percurso, em terreno algo acidentado até Belmonte, como revela a boa média de 30 km/h, mercê de um trabalho meritório que, na maior parte, pertenceu ao Freitas.
O início da subida surpreendeu quem esperava facilidades. Rampas duras intercaladas com alguns troços em empedrado na passagem pela localidade de Gonçalo não permitiram, a ninguém, uma ascensão descansada. Na sua terra-natal, o camarada Sérgio Gomes, da Casa do Benfica de Belmonte, assumiu a dianteira do pelotão, liderando-o antes alguns conterrâneos mais madrugadores que assistiam à passagem do inesperado grupo de ciclistas.
Enquanto se continuava a serpentear a caminho de Seixo Amarelo, a brisa matinal tornou-se abafada, ameaçando com temperaturas altas para a fase final, que felizmente não se confirmaram. À medida que se subia, a estrada tornava-se cada vez mais estreita, a paisagem mais bela e a inclinação, felizmente, mais suave. No alto de Gonçalo, o objectivo estava cumprido: o pelotão mantinha-se praticamente compacto, descontraído e motivado – mas ninguém duvidava que os últimos 10 km a 4,6% tinham «ficado» nas pernas.

Penhas Douradas
Após a neutralização, a clássica assumia a sua plena dimensão, com andamento livre a impor gestão rigorosa do esforço. Logo na fase inicial da descida para Valhelhas, os Carb Boom lançaram-se a alta velocidade, impondo desde logo opções aos demais. O bom ritmo (média de 48 km/h) isolou, na frente, um grupo de não mais de 10 ciclistas, mas com a entrada no falso plano ascendente para Manteigas, o abrandamento permitiu a reentrada da maioria dos restantes, não demorando a que o pelotão voltasse praticamente à formação original.
Todavia, houve quem não conseguisse reentrar, por motivos vários: o Freitas foi um deles, vítima da quebra de um raio no início da descida. O esforço empreendido na tentativa de recolagem custou-lhe... o resto. Embora algo distante da grande forma de Junho, que lhe valeu o seu melhor Quebrantahuesos, esta Clássica foi mais uma prova da sua inquebrável abnegação.
Acabava-se de chegar a Manteigas e ao sopé das Penhas Douradas (16,7 km a 4,7%) e logo à entrada da subida andamento de grande nível! Os mais fortes e trepadores assumiam-se, entre eles, o André e o Lopes (ambos da Carb Boom), a meter ritmo de «pro», mais uma vez a recomendar escolhas rápidas entre os restantes: pegar ou largar! Mesmo assim, nos primeiros 2/3 km, no grupo da frente ainda se mantinham cerca de 25 unidades, mas quando um ciclista da Covilhã (de azul) assumiu a condução, o andamento tornou-se altamente selectivo.
No meu caso, chegava a hora de baixar a adrenalina e impor a racionalidade. O grupo principal partiu-se dois ou três ciclistas à minha frente e o espaço abriu-se num ápice. Na frente, seguiram cerca de 15 elementos, atrás, num segundo grupo, pouco mais de cinco: eu, o Eurico e o Miguel (Palmeiras Resort... Vila Franca), o Pedro Bike (dos Duros do Pedal) e mais um ou outro que não identifiquei.
Naquele momento «chave», em que se esgotava o tempo para ainda recuperar, o Miguel perguntou-me: «Como é Ricardo, vamos lá ou seguimos ao nosso ritmo?». A minha resposta, na primeira pessoa - «Não, não, eu fico!» - tinha de facto a pretensão de os convencer a permanecer, como aconteceu. E foi, sem dúvida, a decisão certa! Para todos.
De qualquer modo, sofri muito para me manter ao ritmo da dupla de Vila Franca, que foi gigante nas Penhas. Após dois ou três km em que fui eu a estabelecer o andamento-padrão, ao longo da restante subida estive em constante dilema entre não querer desaproveitar a fantástica companhia ou «largar» para baixar pelo menos 10 pulsações às 173 de média que fiz no alto. Porque a subida, embora rápida (a nossa média foi de 22 km/h) é longa, parece interminável. Decidi-me por continuar, mesmo que, na minha mente, pairasse o fantasma do «empeno».
Para mim, este foi o momento crucial da Clássica. Mas terá sido também para a maioria, e principalmente para alguns elementos que se forçaram a um nível ainda superior no grupo da frente, sem a devida ponderação. Alguns já estavam à vista na fase final da subida, e logo ali, ainda com o colosso da Torre para superar, demonstravam preocupantes sinais de fadiga.
Digo isto, como reflexo do meu estado à chegada às Penhas: cansado, massacrado, receoso do que estava para vir. Mas tinha uma vantagem, privilégio que não queria abdicar depois de tanto esforço: a presença dos meus parceiros do grupo que se formou em Manteigas. Mesmo sem o Miguel, que parou para abastecer na fonte das Penhas, os demais pareciam estar para durar, e colaborar. Tanto mais, que a irregular ligação ao Sabugueiro trouxe dificuldade adicional: o vento. Recuperar devidamente foi uma miragem, como ainda era a Torre...

A Torre
Surpreendentemente, na aproximação ao Sabugueiro o grupo tresmalhou! Péssima decisão, que só encontra explicação no ímpeto e nalguma inexperiência. Houve acelerações despropositadas e respostas ainda mais, mas acima de tudo perder-se a noção da importância da unidade na abordagem à fase mais exigente da jornada.
Assim, se os meus companheiros pareciam perder a consciência do valor da coesão, restava-me mantê-la. Para tal, não podia perder o andamento-guia, o Eurico, quinquagenário e trepador de grande classe, que dava maiores garantias. No final da descida, quando pareceu inquieto com a pequena vantagem dos outros dois ou três elementos do nosso grupo, sensibilizei-o para as agruras da saída do Sabugueiro e para a importância de encontrar rapidamente o ritmo de subida.
Assim, logo que a estrada apontou ao céu, com inclinações superiores a 10% e média de 8,3% durante 5,5 km até à Lagoa Comprida, iniciou-se a batalha dura, lenta e silenciosa. Foi como se o Mundo passasse a câmara lenta. Restavam 18 km de sofrimento. E que sofrimento naqueles primeiros quilómetros, ainda marcados pela «violência» das Penhas! Ritmo de pedalada no limite mínimo, pulsação no limite máximo – nestas condições é fundamental manter o andamento certo, sem oscilações. Um desafio à resistência física e mental, e à tentação de querer alcançar (logo) quem vai à frente.
Quando entrei na subida, após aquela curva fechada, sobre a famosa pequena ponte, tinha 15 metros de desvantagem para o Eurico. Pareciam à distância de uma ligeira aceleração, de um repelão – que seriam suicídio! Foram, precisamente, os mesmos 15 metros que ainda nos separavam mais de 5 km depois, à chegada à Lagoa Comprida. Para trás, tinham sido dobrados diversos elementos, incluindo os nossos antigos parceiros e grande parte dos que seguiram no grupo da frente nas Penhas. Nos penosos 6 km do Sabugueiro à Lagoa fiz médias de 12 km/h e 176 pulsações.
Após a Lagoa, a inclinação torna-se irregular, a pendente baixa e inclusive há descidas que permitem aliviar a tensão muscular, encontrar outros ritmos de subida. Mas com a altitude acima dos 1500 metros, o oxigénio fica rarefeito, o rendimento baixa e as pernas parecem não responder da mesma maneira – sem motivo aparente...
Esses factores pesaram no rendimento do meu guia, o Eurico, e os duráveis 15 metros esfumaram-se num ápice naquela longa recta a seguir à barragem, batida a forte ventania. Mas tinha-lhe uma dívida que queria saldar, pela ajuda que me prestou e em homenagem à sua grande classe e esforço. Procurei dar-lhe roda amigável, abrigada do vento que nos fustigava, indicando-lhe as trajectórias mais suaves. No entanto, a fadiga venceu-o. A glória, porém, estava conquistada.
Eu segui. Na peugada do duo Jorge (Contador) de Alverca e Lopes (Carb Boom), que estava «à mão» à entrada no carrossel dos últimos 10 km, mas que, afinal, só consegui alcançar à passagem pela pista de esqui, a menos de 2 km da Torre.
Como referência, o meu tempo final, na Torre, foi de 4h37m20s, à média de 24 km/h (113 km) e de 5h09m40s, na Covilhã, a 26,5 km/h (137 km).

Os heróis
Desde os primeiros a chegar ao cume - André, Marco Silva, Rui Torpes, o Azul da Covilhã e o Esteves (dos Duros) - que voaram montanhas acima, aos derradeiros a atingir o cume mais alto, todos foram «grandes, enormes», insuperáveis. Colocaram à prova corpo e mente, alguns roçando os seus limites, a maioria atingindo o ponto mais alto de Portugal Continental com pedalada titubeante, esforço estampado no rosto, mas a incontrolável satisfação do desafio superado.
Algumas imagens ficaram na retina. Uma «tocou-me» a mim, quando algures a seguir ao Sabugueiro, ao ultrapassar o Álvaro dos Duros, dizia-me ele: «Oh, Ricardo, tás a passar mal ou quê?». Eu hesitei a responder, porque mal não me sentia e não me estava nada a apetecer desperdiçar fôlego. Mas ele quis ser mais directo. «Não deverias estar mais à frente?». Então não podia deixá-lo sem esclarecimento: «Quem te enganou?». Fim de conversa.
Guardo também o semblante do Carlos Gomes, na Lagoa Comprida, quando o «encorajei», dizendo-lhe que faltavam «só» 10 km, e o do Carlos Cunha a descer para a Lagoa, como se continuasse a subir, de tão cansado!
Na Torre, os heróis chegavam a conta-gotas. Houve quem se tenha atirado literalmente ao chão, vencido pelo cansaço, mas vencedor de uma das maiores provações da sua vida. Outros, em que o sorriso de orelha a orelha se confundia ainda com o esgar do sofrimento.
Espantou o aparecimento de rompante do Guedes, velho companheiro nestas andanças, que pedalava como se tivesse... a começar. Terá feito uma subida final em fantástica recuperação mas não parava de se lamentar que a malta andava muito depressa... no plano!
Maltratado chegou o Miguel, que depois «daquela» exibição nas Penhas não se esperava que passasse tão mal? Mas quando a fraqueza ataca na alta montanha, o 39x23 pode matar. Pelo contrário, o Paulo Pais agradecia ao 39x28 o facto de estar ali... E sobre o Evaristo dizia-se que, na subida final, a cada 100 metros, sentia as cãibras a mudarem de perna.
Melhor estavam «nuestros hermanos», a confraternizar animadamente lá no alto, como se comessem montanhas ao pequeno-almoço. E a Sra. Torpes, a Maria, que repetiu a façanha de 2009 e fez grande parte do percurso sozinha, logo bem acompanhada...
Comuma todos, a intensa paixão pelo ciclismo. A Clássica da Serra da Estrela é vossa! E para o ano, será ainda maior!

P.S. O lamento pelas aparatosas quedas do André e do Marco Almeida, na descida para a Covilhã, que levou o primeiro ao hospital para observação. Felizmente, não implicou mais cuidados e o «puto» em breve estará fino para continuar a arrasar. Rápidas melhoras!

Ver as crónicas do camarada Manso, em ciclismo2640.blogspot.com e dos nossos ilustres vizinhos espanhóis, em elsabiobike.blogspot.com

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

ATENÇÃO, NOVO HORÁRIO: 8h00

A tradicional Clássica da Serra da Estrela será, na edição deste ano, uma verdadeira etapa de alta montanha, com 130 km, três contagens de 1ª categoria e passagem «obrigatória» pela Torre. Pretende-se criar um modelo que perdure no tempo todos os anos/edições com percurso diferente. Pelo menos, sê-lo-à em relação aos anos mais recentes, numa tarefa que, na imensidão de trajectos da Serra da Estrela, não deverá ser muito complicada.
A data do evento é o dia 4 de Setembro (sábado), como é habitual no primeiro fim-de-semana deste mês, apenas com a alteração do dia, domingo. O objectivo é o de proporcionar aos participantes um regresso com mais tranquilo, com um dia de descanso para os que trabalharem na segunda-feira seguinte. A data da Clássica (1º fim-de-semana de Setembro) é supostamente para manter nos anos vindouros e o percurso será anunciado, neste blog, no dia 15 de Março de cada ano - com a antecipação suficiente para a devida programação/preparação de todos os que nela pretendam participar.

O percurso
O percurso da 1ª edição deste novo formato de Clássica inicia-se na Covilhã (parque de estacionamento do McDonald’s) na alameda que liga a EN18 ao centro da cidade e prossegue por esta estrada nacional até Belmonte, num trajecto com alguns desníveis. Apenas 5 km após esta cidade, e continuando pela mesma estrada, «eleva-se» a primeira subida da etapa, Gonçalo, com 10 km a 4,7%.
A inclusão desta ascensão no percurso foi sugerida pelo camarada Manso «Cancellara», dinamizador desta jornada serrana, e sobre ela reconheço não ter qualquer conhecimento. Segundo o próprio, arranca com as inclinações mais fortes e vai suavizando à medida em que subimos na cota, sempre com uma pendente que diz ser algo irregular. A subida atravessa as localidade de Gonçalo e de Seixo Amarelo, culminando com a intercepção da N18-1 que liga Guarda a Valhelhas, já em pleno Parque Nacional da Serra da Estrela.
A descida tem 13 km para Valhelhas tem algumas parte técnicas mas um declive moderado. No final a descida, que coincide com o cruzamento que antecede Valhelas, vira-se à direita para Manteigas, onde se chega após 16 km de falso plano (progressivamente) ascendente. Nesta ligação, que convida a velocidade elevadas não convém cometer exageros!
Em Manteigas inicia-se a segunda montanha do dia, Penhas Douradas: 15 km a 4,4%. Ou seja, longa mas suave. Sem dúvida, uma montanha rolante, sem inclinações fortes e uma pendente regular! Conheço-a apenas em descida, e adianto desde já que é... fantástica! Faz a transição da cota de 760 metros para a de 1414 metros, elevando-se praticamente sobre Manteigas através de um emaranhado de pequenas rectas e ganchos e proporcionando um esplêndida visão do Vale Glaciar do Zêzere, que vai ficando debaixo dos nossos pés...
A partir de Penhas Douradas (e da passagem próximo do seu Observatório Meteorológico), desce-se para o Sabugueiro saindo da N232 que continua para Gouveia. Depois deste cruzamento (à esquerda), são 5 km em descida até ao Sabugueiro (a aldeia mais elevada de Portugal Continental) numa estrada com piso irregular e muito desabrigada.
A junção com a subida Seia-Torre faz-se antes do Sabugueiro, ainda em descida acentuada (a tal passagem características desta subida, por onde irá passar uma das etapas da Volta este ano), para logo se iniciar a subida final para a Torre (imediatamente a seguir à aldeia). Serão 17 km a 5,5%, e para o poucos que não conhecem esta subida, a percentagem média de inclinação está longe de reflectir a sua dificuldade.
Nos 5 km seguintes ao Sabugueiro, é a doer e sem tréguas! Surge, então, uma descanso que antecede a passagem pela Lagoa Comprida. Depois, a pendente torna-se irregular, com secções bastante inclinadas e outras brandas, chegando mesmo a descer-se. A aproximação à Torre faz-se por patamares...
No cume de Portugal Continental, estaremos com cerca de 110 km... e etapa praticamente concluída. Todavia, resta voltar «vertiginosamente» para a Covilhã, em descida íngreme e com troços muitíssimo técnicos. Aí, os grandes descedores vão estar em palco privilegiado.

Outras informações
Esclareça-se, desde já, que a Clássica não tem fins competitivos e os seus participantes deverão respeitar o andamento médio estabelecido, de modo a permitir a integração de todos os ciclistas durante a maior parte do percurso. Todavia, ninguém terá dúvidas de que, em subidas desta categoria, haverá diferenças mais ou menos acentuadas de nível entre os participantes. Por isso, deve partir-se do princípio de que «ninguém deve travar ninguém», para tal devendo cumprir-se neutralização para reagrupamento no alto de Gonçalo e na Torre.
Tal não dispensa, porém, a cada participante a consciência/responsabilidade das suas capacidades físicas e a estas a adequação do seu próprio andamento/esforço, assegurando-se que, à partida, reúne condições para completar, ao seu ritmo, um trajecto com este elevado nível de exigência.
O objectivo consiste em tentar levar o grupo compacto até ao início da derradeira subida (do Sabugueiro para Torre), embora mais uma vez mais se ressalve o interesse, desde que possível, da formação de grupos de nível idêntico.
A duração da prova não deverá ser inferior a 5 horas, à (melhor) média prevista de 25 km/h.

ATENÇÃO: ANTECIPAÇÃO DE HORÁRIO DE PARTIDA!
A hora do início da prova aponta-se agora para as 8h00 (concentração às 7h30).

No final do evento, serão disponibilizados (sem custos) balneários para banhos, no Centro Desportivo da Covilhã, por trás do Hospital.

Todas as dúvidas respeitantes à participação no evento devem ser remetidas através de comentário (no espaço abaixo)

INSTRUÇÕES

A pouco mais de uma semana da 1ª. Clássica da Serra da Estrela, as expectativas iniciais estão superadas. Do cepticismo à nascença a um inesperado interesse de muitos participantes. A confirmar-se a adesão de maioria dos que têm manifestado intenções de estar à partida da Covilhã, às 8h00 de sábado, corre-se o «risco» de o evento adquirir uma projecção sem precedentes neste primeira edição. Com todas as contrapartidas que advêm, positivas e negativas.
Por isso, impõe-se, desde já, o estabelecimento de instruções básicas que deverão prevalecer no decurso da jornada, para tentar, o melhor possível, prevenir o seu normal desenrolar. Para que a mesma decorra como todos desejam!

Ponto prévio: reforce-se o cariz da Clássica de Serra da Estrela, que não é competição, mas sim uma prova de superação individual, que exige a cada participante a máxima responsabilidade e consciência da sua autonomia e capacidade para concluir um percurso de 130 km em alta montanha, com três subidas de 1ª categoria.

Assim, quanto às instruções que deverão nortear a conduta dos participantes, informa-se que o percurso será dividido em três partes:
1ª. Covilhã-Alto do Gonçalo (km 34,6 km; montanha de 1ª. Categoria)
2ª. Alto do Gonçalo-Torre (108, 4 km; após duas montanhas de 1ª Categoria)
3ª. Torre-Covilhã (final, km 130)

O procedimento que mais importa esclarecer/dissecar refere-se à primeira fase, para o qual solicita-se a compressão/entendimento de todos os participantes. Embora sem beliscar um dos pressupostos que prevalece a esta Clássica (o não condicionamento do andamento dos participantes) importa definir algumas instruções simples e pouco restritivas que possam contribuir para a concretização do objectivo primordial: a congregação de ciclistas de todos os níveis (desde que salvaguardadas as condições mínimas já mencionadas em ponto prévio).
Informa-se que, desde a Covilhã até ao Alto de Gonçalo, será imprimido um andamento-guia (por minha iniciativa, e estabelecido em parceria com os que bem-vindos quiserem colaborar/ajudar) que se considera adequado para a fase inicial do percurso – e que poderemos denominar como o ritmo do «pelotão». A ideia é tentar encontrar um andamento moderado, acessível à maioria, principalmente ao longo da primeira subida, de modo não ser limitativo aos atletas melhor preparados e sem penalizar aos menos aptos.
De qualquer modo, porque é natural que se verifiquem alguns atrasos no alto do Gonçalo, o «pelotão» deverá proceder a uma neutralização extraordinária (no cruzamento com a estrada que desce para Valhelhas) para reagrupamento total. O impasse durará o tempo que se considere razoável, ainda e sempre considerando a fase em questão do traçado.

Após a neutralização no alto de Gonçalo, a única estipulada antes da chegada à Torre, deixará de haver restrições ao andamento. Todavia, a noção de «pelotão» não deixará de existir. Pelo contrário, considera-se altamente recomendável que os participantes sigam em grupo do seu nível, para melhor interajuda.
Por outro lado, quer em grupo ou individualmente, partirá das necessidades de cada participantes a decisão de parar para reabastecimento. Esclareça-se, a propósito, que não há abastecimentos no evento, pelo que cada participante deve munir-se de alimentação sólida e líquida suficiente para cumprir o percurso, ou eventualmente parar para o adquirir (comprar) ou ser apoiado por viatura.
Sobre os carros de apoio, pede-se aos seus condutores que, quando prestarem assistência aos seus atletas, que o façam na parte de trás do pelotão e em segurança, de forma breve e sem obstruir o trânsito ou colocar em risco os demais utentes da via, incluindo os próprios ciclistas. Durante as longas subidas certamente haverá condições e tempo suficientes para tal, e até para as fotografias da praxe.

Na terceira e última fase, após a chegada à Torre, deve aguardar-se pela chegada de todos os participantes, antes de concluir a Clássica, descendo para a Covilhã (local da partida). Embora, como se compreende não se possa garantir infalibilidade.

CONSELHOS
Nunca é demais alertar/recordar todos os interessados em participar nesta desafiante Clássica da Serra da Estrela, a importância da gestão do esforço de acordo com as capacidade físicas. Para tal, a constante auto-avaliação ao longo do percurso é fundamental, porque nunca é demais frisar: é uma Clássica de alta montanha digna das grandes provas internacionais – não apenas pelo simbolismo das paragens, mas acima de tudo pelo elevado nível de dificuldade. Terminá-la – asseguro - é uma conquista pessoal de inegável mérito! Motivo para se oferecer a si próprio uma medalha alusiva.
Os participantes terão, com certeza, níveis diferentes, e em montanha essas diferenças fazem-se rapidamente. Quando se diz rapidamente, pode ser em centenas de metros... ou menos. Para isso, é crucial para cada ciclista «meter» o «seu» andamento (moderado, de preferência) o quanto antes e não apenas quando as forças falharem. E se falharem logo no Gonçalo ou mesmo nas Penhas Douradas, a subida à Torre poderá tornar-se penosa.
Pois, nunca se pode dizer que, numa jornada com três «cols», por se estar bem na primeira subida ou na segunda, se estará na última que, neste caso, é a mais difícil, e onde as forças, para a maioria, já serão muito mais escassas. Não vale a pena forçar, a não ser quando a Torre estiver à vista. Não respeitar a montanha é insensatez, mais cedo ou mais tarde, ela passará a factura! E pode apanhar-nos sem que tenhamos mais nada dar (lhe) dar...
Digo-o por experiência em muitas Clássicas internacionais.

Boa Sorte